21°C 35°C
Afrânio, PE

PF investiga elo de Lulinha com lobista que levava demandas a assessor de Lula

Mensagens revelam pedidos de agendas no governo e articulações envolvendo canabidiol; defesas negam irregularidades

Redação
Por: Redação
23/08/2026 às 14h25 Atualizada em 23/08/2026 às 14h36
PF investiga elo de Lulinha com lobista que levava demandas a assessor de Lula
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A Polícia Federal (PF) investiga a possível atuação conjunta de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da lobista Roberta Luchsinger e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, em supostas articulações para facilitar interesses privados dentro do governo federal. Mensagens apreendidas pelos investigadores mostram pedidos de reuniões, contatos com integrantes do governo e tratativas envolvendo negócios no Ministério da Saúde.

Marcola ocupava um cargo próximo ao presidente e, segundo as mensagens analisadas pela PF, recebia de Roberta demandas relacionadas a assuntos de interesse de clientes. Em julho de 2024, por exemplo, a empresária encaminhou uma lista de prioridades ao então assessor presidencial. Entre os assuntos estava uma negociação relacionada ao canabidiol com Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que era secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Marcola respondeu à lobista informando que havia se reunido com Berger no dia anterior. Em outra conversa, Roberta mencionou diretamente o filho do presidente ao afirmar que seria necessário envolver Fábio nas articulações com o então número dois do Ministério da Saúde.

A PF investiga justamente se Lulinha e a lobista utilizaram relações dentro do governo para facilitar negócios privados. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), investigadores afirmaram haver indícios de uma possível “comunhão de interesses econômicos” entre Lulinha e Roberta. A corporação também apura a existência de uma suposta sociedade informal envolvendo os dois e outros empresários.

Contrato com o Ministério da Saúde

Uma das principais frentes da investigação envolve uma tentativa de comercialização de medicamentos à base de cannabis medicinal para o Ministério da Saúde. As tratativas poderiam beneficiar negócios relacionados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, também investigado em outros inquéritos.

A Polícia Federal encontrou ainda uma minuta de contrato encaminhada por Roberta a Marcola para possível fornecimento de medicamentos ao Ministério da Saúde com dispensa de licitação. O negócio, entretanto, não foi concretizado.

Segundo a investigação, Roberta atuava sistematicamente na interlocução de interesses relacionados ao mercado de canabidiol junto a integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial. A PF sustenta que Lulinha teria acompanhado ou impulsionado algumas dessas tratativas.

As mensagens também mostram tentativas da lobista de conseguir acesso a outros setores do governo. Em uma das conversas, Roberta reclama da dificuldade para obter uma reunião com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmando que precisava apresentar algum avanço aos interessados. A Petrobras informou que sua presidente nunca tratou dos assuntos investigados com as pessoas mencionadas no caso.

O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro (esq.), conhecido como Marcola, e o presidente Lula no Palácio do Planalto, em Brasília
O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro (esq.), conhecido como Marcola, e o presidente Lula no Palácio do Planalto, em Brasília

Pagamentos também são investigados

A relação entre Roberta e Marcola ganhou outra dimensão depois que a investigação identificou pagamentos feitos pela empresária ao então integrante do gabinete presidencial.

A defesa de Marcola sustenta que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal posteriormente quitado e nega que ele tenha recebido qualquer vantagem para interferir em contratos ou licitações.

Os investigadores também encontraram referências a joias de diamante avaliadas em aproximadamente R$ 9,2 mil e a uma obra de arte que Roberta teria afirmado valer 100 mil euros. Em uma conversa de dezembro de 2024, Marcola questionou a empresária sobre o quadro.

A PF ainda não estabeleceu que a obra tenha sido efetivamente entregue. A defesa do ex-assessor afirma que ele nunca recebeu o quadro ou objetos de valor e sustenta que a conversa mencionada pelos investigadores não representava uma cobrança real.

Defesas negam irregularidades

Marcola deixou a chefia de gabinete da Presidência em julho, após a divulgação das informações sobre os pagamentos recebidos de Roberta. Sua defesa afirma que ele jamais intermediou negociações ou encaminhou documentos referentes a compras ou licitações públicas e reclama de vazamentos seletivos de trechos da investigação.

A defesa de Lulinha também nega tráfico de influência ou participação irregular em negócios com o governo. Os advogados do filho do presidente alegam motivação política nas investigações e afirmam que não há comprovação de recebimento de recursos públicos ou prática de ato ilícito por parte dele.

Roberta Luchsinger não tem comentado as novas revelações porque o processo tramita sob sigilo.

As investigações continuam e deverão determinar se a proximidade entre a lobista, Lulinha e o então chefe de gabinete da Presidência ficou restrita a relações pessoais e profissionais ou se houve efetivamente utilização de influência política para beneficiar interesses privados dentro do governo federal.

Fontes: CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Veja e informações atribuídas a documentos da Polícia Federal.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários