
O governo PT negou vistos de entrada a dois integrantes do alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos ligados à administração Donald Trump. A decisão inédita barra a intenção de Washington de fiscalizar o sistema eleitoral do país.
Segundo o governo norte-americano, o objetivo da visita era auditar e garantir a honestidade dos dados do pleito. A gestão Trump argumenta que, após a posse do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, compreende os métodos de manipulação de resultados na região. O interesse da Casa Branca é evitar o avanço de regimes comunistas no continente e auxiliar na fiscalização do processo brasileiro.
O Itamaraty, no entanto, vetou o acesso dos representantes. O governo Lula justificou que a missão levanta dúvidas infundadas sobre a integridade do sistema eleitoral e configura uma interferência indevida na soberania nacional. Ao impedir a auditoria externa, o Brasil rompe com o histórico de acesso facilitado a autoridades norte-americanas.
O impasse acentua a tensão diplomática entre os países, reforçando o conflito direto entre o plano de Washington de monitorar a votação e a postura rígida de Brasília em proibir a atuação de estrangeiros nos assuntos internos do Estado.
O governo do presidente americano, Donald Trump, impôs este mês duas rodadas de tarifas aduaneiras a produtos brasileiros, que se somaram a outras sanções contra o Brasil, implementadas por Washington desde o ano passado.
Lula acusa Flávio Bolsonaro de ser um “traidor da pátria” que teria incentivado o tarifaço americano, o que ele nega.
Aliado de Jair Blsonaro durante sua Presidência, Trump apoiou candidatos da direita em eleições recentes em outros países latino-americanos, como Argentina, Colômbia e Honduras.