18°C 32°C
Afrânio, PE

MP do Piauí registra condenação em 87,5% dos casos de feminicídio

Dados foram apresentados pela procuradora-geral Cláudia Seabra durante o lançamento de pacto nacional de combate à violência contra a mulher

Redação
Por: Redação Fonte: Folha Expressa
02/08/2026 às 09h00
MP do Piauí registra condenação em 87,5% dos casos de feminicídio
Procuradora-geral de Justiça, Cláudia Seabra, apresentou os dados durante evento em Teresina — Foto: Divulgação / MPPI

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) revelou que 87,5% das denúncias de feminicídio apresentadas pelo órgão resultam na condenação dos réus. O índice expressivo foi divulgado pela procuradora-geral de Justiça, Cláudia Seabra, durante a solenidade de lançamento do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, realizada em Teresina. O percentual reflete a atuação dos promotores de Justiça que trabalham diretamente nos julgamentos do Tribunal do Júri em todo o território piauiense.

Durante o evento, a chefe do Ministério Público estadual destacou que o enfrentamento à violência de gênero exige uma articulação integrada e contínua entre as diversas instituições públicas. Segundo a procuradora-geral, o órgão tem concentrado esforços não apenas na punição dos agressores, mas também no acompanhamento rigoroso da aplicação da Lei Maria da Penha, no fortalecimento de ações preventivas e na ampliação do acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade.

A procuradora-geral de Justiça também ressaltou a urgência de se consolidar políticas públicas eficazes que protejam as mulheres antes que as agressões escalem para crimes mais graves, como o feminicídio. Para a chefe do Ministério Público, a prevenção primária e a intervenção rápida do Estado são fundamentais para salvar vidas e interromper o ciclo de violência doméstica que afeta centenas de famílias no Piauí.

Atuação especializada

Além dos dados gerais de condenações, foram apresentados números expressivos sobre o trabalho desenvolvido pelas quatro Promotorias Especializadas de Teresina. De acordo com o balanço divulgado, a estrutura já registrou mais de 11 mil denúncias de violência contra a mulher. Desse total, 2.190 procedimentos foram direcionados especificamente contra investigados por agressões físicas e psicológicas no ambiente doméstico.

Outro ponto de destaque na atuação do Ministério Público é o acompanhamento e a concessão de medidas protetivas de urgência. Ao todo, cerca de 4.900 medidas protetivas foram viabilizadas ou monitoradas de perto pelas promotorias especializadas, garantindo uma barreira de segurança jurídica e física para as vítimas que decidiram romper o silêncio e denunciar seus agressores.

Prevenção e reeducação

Como parte das estratégias para reduzir os índices de violência doméstica no estado, a procuradora-geral destacou o sucesso do Programa Reeducar. A iniciativa é voltada especificamente para a reabilitação de autores de violência doméstica, buscando promover uma mudança profunda de comportamento por meio de reflexões e acompanhamento psicossocial. O projeto funciona de forma complementar, sem substituir as punições penais previstas pela legislação brasileira.

Os resultados do programa ao longo de uma década demonstram sua eficácia prática. Em dez anos de funcionamento contínuo, o Programa Reeducar registrou apenas cinco casos de reincidência entre os participantes, um índice considerado extremamente baixo e que comprova a importância de ações educativas no combate à violência de gênero.

Por fim, a chefe do MPPI mencionou outras ferramentas essenciais na rede de proteção estadual, como o Núcleo de Atendimento às Vítimas (NAVI), que oferece suporte psicológico, social e jurídico humanizado, e o projeto Feminicídio Zero. Ambas as iniciativas buscam fortalecer a rede de apoio e garantir que nenhuma mulher fique desamparada ao buscar ajuda contra a violência doméstica no Piauí.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários