
A morte violenta de Antônio Carlos de Amorim, conhecido popularmente como Deda, gerou profunda comoção e revolta no município de Picos, no Piauí. Ele faleceu após ser brutalmente espancado na madrugada da última quarta-feira, 29 de julho, nas imediações do Estádio Helvídio Nunes. Deda era uma figura amplamente querida na comunidade local por ter fundado a Arena Paroquial, um projeto social que atende gratuitamente cerca de 100 crianças por meio do esporte.
A iniciativa idealizada por Deda começou de forma simples, mas transformadora. Há cinco anos, ele decidiu limpar por conta própria, utilizando apenas uma enxada, um terreno abandonado que servia como depósito de lixo no bairro Paroquial. O esforço solitário chamou a atenção de moradores e pais de jovens da localidade, que se uniram à causa para estruturar o espaço. Hoje, a Arena Paroquial é considerada um modelo de ação social na cidade, oferecendo atividades esportivas e recreativas sem qualquer custo para as famílias.
De acordo com Paulo Afonso, atual diretor do projeto, a escolinha de futebol vai muito além das quatro linhas. O objetivo principal sempre foi transmitir valores fundamentais aos menores, como disciplina, respeito mútuo, compromisso escolar e solidariedade. A motivação de Deda para criar o projeto vinha de sua própria história de vida, marcada pela luta persistente contra a dependência química e o alcoolismo. Ele enxergava no esporte um escudo para evitar que as crianças da comunidade seguissem caminhos semelhantes.
A notícia do assassinato provocou indignação generalizada em Picos. Familiares e amigos destacam que, apesar de enfrentar problemas de saúde decorrentes do vício, Deda era um homem pacífico, generoso e incapaz de cometer atos de violência contra terceiros. Além de sua dedicação ao esporte comunitário, ele possuía um lado artístico marcante, tendo atuado como baterista em uma banda musical formada junto com seus familiares na região.
O filho da vítima, Robson Jackson, relatou que o pai chegou a ser socorrido com vida e deu entrada consciente no Hospital Regional Justino Luz. No entanto, o quadro clínico era extremamente grave devido à violência das agressões sofridas. Deda apresentava fratura no braço, múltiplas lesões severas na região da cabeça e hemorragia interna. Ele não resistiu aos ferimentos após sofrer três paradas cardíacas consecutivas na unidade de saúde.
A Polícia Civil do Estado do Piauí assumiu as investigações sobre o homicídio. Agentes trabalham para coletar depoimentos de testemunhas, analisar possíveis imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do estádio e identificar a autoria e a motivação do crime. Até o momento, nenhum suspeito foi preso. A comunidade e os familiares cobram celeridade das autoridades de segurança pública para que os responsáveis pelo espancamento sejam identificados e punidos conforme a lei.
Mesmo diante da perda trágica de seu criador, os voluntários e coordenadores da Arena Paroquial garantiram que as atividades com as crianças terão continuidade. Para o grupo, manter o projeto em pleno funcionamento é a principal maneira de honrar a memória e o legado de solidariedade deixado por Deda, cuja trajetória transformou a realidade de dezenas de famílias carentes no bairro Paroquial.