
A primeira semana do mês de novembro promete registrar as temperaturas mais elevadas do ano no Piauí, com marcas que devem ultrapassar os 40°C em diversas regiões do estado. O alerta foi emitido pela Defesa Civil do Piauí com base nos levantamentos e projeções de modelos meteorológicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que sinalizam a intensificação de uma massa de ar quente e abafado sobre o território piauiense.
De acordo com Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil estadual, os moradores do estado já vêm percebendo uma alteração relevante no comportamento do clima. Embora os termômetros tenham registrado números semelhantes aos de semanas anteriores, o aumento substancial na sensação de abafamento gerou um desconforto térmico mais acentuado em diferentes cidades.
O forte aquecimento é impulsionado pela combinação da fase de maior intensidade do fenômeno climático El Niño com o aquecimento atípico das águas do oceano Atlântico. Essa conjunção de fatores globais impede a formação regular de nuvens e bloqueia a chegada de frentes frias ou massas de ar mais ameno, elevando os índices térmicos em toda a Região Nordeste, com impacto direto no semiárido e nas zonas urbanas piauienses.
As simulações do modelo meteorológico Monan, desenvolvido pelo Inpe, indicam que os dias atuais podem atingir os picos de calor de 2026. Na capital, Teresina, a previsão aponta que os termômetros podem registrar até 42°C nos horários de pico. O órgão estadual reforça que este valor refere-se exclusivamente à medição oficial dos aparelhos, de modo que a sensação térmica sentida pela população no asfalto e ambientes abertos tende a ser substancialmente superior.
A expectativa das autoridades de monitoramento é que o cenário de calor escaldante e ar seco prevaleça durante quase todos os próximos dias. No entanto, o cenário meteorológico aponta para a possibilidade de uma mudança gradativa a partir do dia 9 de novembro, quando é esperada a formação de um canal de umidade vindo do interior do continente.
Caso a chegada dessa umidade se confirme, haverá condições para uma diminuição gradual nas temperaturas máximas, trazendo alívio para as comunidades situadas na faixa dos Cerrados e no Sertão piauiense, áreas que historicamente sofrem com a estiagem prolongada e baixos índices de umidade relativa do ar no segundo semestre.
Diante da elevação drástica das temperaturas, os órgãos de saúde pública e de proteção civil recomendam cuidados redobrados com a hidratação diária, especialmente no caso de crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A orientação é evitar a exposição direta ao sol entre os horários de maior radiação solar, priorizar ambientes ventilados e utilizar roupas leves e de cores claras.
Além disso, as autoridades chamam a atenção para os riscos de focos de incêndio em vegetações secas, comuns neste período do ano na região do semiárido. A combinação de ar seco, vegetação desidratada e altíssimas temperaturas exige cautela reforçada da população para evitar queimadas agrícolas ou o descarte irregular de materiais que possam dar origem a grandes incêndios florestais.