
O estado do Piauí contabilizou um total de 1.848 focos de queimadas ao longo do mês de setembro, de acordo com os dados consolidados pelo Banco de Dados de Queimadas (BD Queimadas), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O índice, embora expressivo e preocupante para as autoridades ambientais, aponta para uma redução no comparativo com o mesmo período do ano anterior, quando o território piauiense registrou 2.147 ocorrências de incêndios florestais.
A redução nos índices gerais não diminui o estado de alerta das equipes de monitoramento e de combate ao fogo. Historicamente, o mês de setembro marca o aprofundamento do período conhecido regionalmente como B-R-O-Bró, caracterizado pela elevação extrema das temperaturas e pela queda drástica nos níveis de umidade relativa do ar, fatores que criam um cenário propício para a propagação rápida das chamas na vegetação seca.
O levantamento detalhado por municípios revela que a região do extremo sul e do cerrado piauiense concentra a maior parte dos focos de calor. O município de Uruçuí liderou as estatísticas estaduais, registrando 166 focos de queimadas em setembro. Logo em seguida, destaca-se a cidade de Corrente, com 140 registros, evidenciando a vulnerabilidade dessas áreas agrícolas e de vegetação nativa.
Outras cidades também apresentaram números elevados de focos de calor durante o período monitorado pelo Inpe. Entre elas estão Gilbués (88 focos), Palmeira do Piauí (85), Baixa Grande do Ribeiro (80), Oeiras (77), Barreiras do Piauí (75), Santa Filomena (75), Ribeiro Gonçalves (70), Jerumenha (52) e São Gonçalo do Gurguéia (50). A maior concentração de incêndios ocorreu na terceira semana do mês, especificamente entre os dias 14 e 20 de setembro, intervalo que concentrou sozinho 738 registros em todo o estado.

A análise por cobertura vegetal demonstra que o Cerrado continua sendo o bioma mais castigado pelas queimadas no Piauí, respondendo por 1.256 focos de calor em setembro. A Caatinga, bioma predominante na região semiárida e que abrange grande parte do sudeste piauiense, registrou 592 ocorrências. A baixa umidade do solo e a vegetação caducifólia, que perde as folhas no período de estiagem, facilitam a combustão espontânea ou provocada pela ação humana.
De acordo com a meteorologista Sônia Feitosa, da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar), a tendência é de que as condições climáticas permaneçam severas nas próximas semanas. A especialista alerta que um número crescente de municípios deve registrar temperaturas máximas acima dos 40°C. Além disso, o estado encontra-se sob alerta amarelo de baixa umidade relativa do ar, o que exige cuidados redobrados tanto com a saúde humana quanto com a preservação ambiental.
Diante do cenário crítico, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí tem intensificado as ações de combate direto aos incêndios e reforçado as campanhas de conscientização junto à população. Em uma das intervenções recentes de combate a incêndios florestais, as equipes da corporação utilizaram cerca de 1.400 litros de água para controlar as chamas. A operação demandou o uso de equipamentos especializados, incluindo três bombas costais, um soprador e um abafador, demonstrando o esforço logístico necessário para conter o avanço do fogo.
As autoridades reforçam que a maioria dos incêndios florestais tem origem em atividades humanas, como a queima de lixo ou a limpeza de pastagens sem autorização e controle técnico. O Corpo de Bombeiros orienta que os produtores rurais evitem o uso do fogo neste período e que qualquer foco de incêndio seja imediatamente reportado aos canais de emergência para evitar tragédias ambientais e perdas materiais.