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Homem usa dados de falecido para registrar roubo falso de veículo no Piauí

Ação da Delegacia de Crimes Cibernéticos resultou em busca e apreensão na residência do investigado em Demerval Lobão

Redação
Por: Redação Fonte: Cidades em Foco
11/09/2026 às 09h00
Homem usa dados de falecido para registrar roubo falso de veículo no Piauí
Operação da Polícia Civil investiga fraudes no registro de boletins de ocorrência eletrônicos — Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil do Estado do Piauí, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), deflagrou uma operação para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um homem de 37 anos, suspeito de utilizar dados de uma pessoa falecida para registrar um boletim de ocorrência falso. O caso ocorreu no município de Demerval Lobão e envolveu a falsa comunicação de roubo de um veículo por meio da plataforma digital B.O. Fácil.

De acordo com as investigações conduzidas pela equipe policial, o investigado utilizou deliberadamente as informações de uma terceira pessoa, que já havia morrido, para formalizar a denúncia no sistema eletrônico. Ao omitir a própria identidade e utilizar dados de um falecido, o homem tentou despistar as autoridades e criar uma situação jurídica inexistente sobre a posse e o suposto roubo de um automóvel.

Fraude no sistema digital

A fraude foi rapidamente identificada pelo setor de inteligência da Polícia Civil, que monitora de forma constante os registros efetuados na plataforma virtual. O delegado Humberto Mácola, titular da DRCC, explicou que a ação na residência do investigado faz parte de um esforço contínuo para coibir fraudes eletrônicas e garantir a integridade dos serviços prestados à população piauiense.

“A DRCC cumpriu o mandado de busca e apreensão na residência desse nacional que está sendo investigado. Outras pessoas também estão sob investigação porque inseriram dados falsos no momento em que registraram ocorrências no sistema B.O. Fácil”, destacou o delegado Humberto Mácola. A polícia busca agora identificar se há a participação de outros indivíduos no esquema ou se o suspeito agiu de forma isolada.

Motivações e desdobramentos

As investigações apontam que esse tipo de conduta criminosa costuma estar atrelado a desacordos comerciais envolvendo a compra e venda de veículos na região. Segundo a polícia, é comum que proprietários vendam seus automóveis e não realizem a transferência de propriedade nos órgãos de trânsito competentes, como o Detran. Quando o comprador deixa de pagar as parcelas combinadas, o antigo dono, de forma ilegal, registra um boletim de ocorrência alegando que o veículo foi roubado.

“As pessoas às vezes passam o veículo, vendem o veículo, não informam ao órgão oficial essa venda. A outra pessoa, o comprador, fica no compromisso de pagar parcelas, não paga, e a pessoa que vendeu acha que pode inserir um dado falso dizendo que o veículo foi roubado. Na verdade, não houve roubo nenhum”, complementou o delegado Humberto Mácola.

Essa prática gera graves consequências para terceiros que adquirem os veículos de boa-fé. Ao circularem com o automóvel registrado falsamente como roubado, os novos condutores correm o risco de serem abordados em fiscalizações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Militar ou em blitze da Polícia Civil, resultando na apreensão do bem e em constrangimentos desnecessários para quem não cometeu irregularidades.

Implicações penais da conduta

A Polícia Civil ressalta que a inserção de informações falsas em sistemas públicos não é um fato isolado e que as ferramentas de auditoria são extremamente eficazes. O sistema B.O. Fácil foi desenvolvido para facilitar o acesso do cidadão aos serviços de segurança pública, permitindo o registro de ocorrências sem a necessidade de deslocamento até uma delegacia física, mas conta com rigorosos mecanismos de verificação.

O delegado Humberto Mácola alertou que a utilização de dados falsos ou a comunicação de um crime que sabidamente não ocorreu configura infração penal grave. “Registrar um boletim de ocorrência falso é crime, pode caracterizar a denunciação caluniosa, a informação falsa de crime ou até a falsidade ideológica e pode levar à cadeia”, enfatizou a autoridade policial.

O caso de Demerval Lobão segue em andamento, e os materiais apreendidos durante a busca na residência do suspeito serão analisados pela equipe de perícia técnica da DRCC. A polícia busca esclarecer todos os detalhes da transação comercial do veículo e a real motivação que levou o homem a utilizar os dados de uma pessoa falecida para tentar enganar o sistema de segurança pública do Estado.

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