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Mulher é presa suspeita de comercializar injetáveis estéticos clandestinos no Piauí

Ação da Polícia Civil em Teresina apreendeu ampolas e frascos de substâncias sem comprovação de origem, como tirzepatida e biostimuladores

Redação
Por: Redação Fonte: Folha Expressa
10/09/2026 às 14h01
Mulher é presa suspeita de comercializar injetáveis estéticos clandestinos no Piauí
Material apreendido pela Polícia Civil durante operação contra venda de produtos estéticos clandestinos — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Na última quinta-feira (10), uma ação coordenada pela Polícia Civil do Estado do Piauí resultou na prisão preventiva de uma mulher sob a suspeita de comercializar e distribuir produtos injetáveis clandestinos voltados para procedimentos estéticos. A prisão e as buscas ocorreram na capital, Teresina, sob a coordenação da Delegacia Especializada de Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo (DECCOTERC). A operação teve como foco principal desarticular um esquema de venda de substâncias sem qualquer comprovação de origem ou registro nos órgãos reguladores.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais de busca e apreensão, os agentes de segurança localizaram um vasto material que seria destinado a aplicações estéticas de alta complexidade. Foram recolhidos dezenas de frascos, ampolas, insumos químicos e outras substâncias líquidas com indicações de uso subcutâneo. Todo o material foi devidamente catalogado e encaminhado para a sede da delegacia especializada, onde passará por perícia técnica para subsidiar o inquérito policial em andamento.

Substâncias de uso controlado

De acordo com as informações oficiais divulgadas pela Polícia Civil, as mercadorias apreendidas apresentavam fortes indícios de clandestinidade, uma vez que não possuíam notas fiscais, registros de importação legal ou autorizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos rótulos das embalagens confiscadas, constavam nomes de compostos altamente procurados no mercado da beleza, tais como a tirzepatida e a retatrutida, que são peptídeos frequentemente associados a tratamentos de perda de peso e controle metabólico.

Além dessas substâncias, os policiais também apreenderam frascos de ácido poli-L-láctico, um conhecido bioestimulador de colágeno utilizado para rejuvenescimento facial e corporal, e o peptídeo de cobre GHK-Cu, utilizado em terapias de regeneração celular. A comercialização e a aplicação dessas substâncias sem o devido controle médico e sanitário representam um grave risco à saúde pública, podendo causar reações adversas severas, infecções localizadas, deformidades e até mesmo quadros graves de necrose tecidual nos pacientes.

Próximos passos do inquérito

Após a execução do mandado de prisão preventiva, a investigada, que não teve sua identidade revelada pelas autoridades policiais em respeito à legislação vigente, foi conduzida para os procedimentos cartorários e, posteriormente, encaminhada ao sistema prisional do Estado, onde permanecerá à disposição do Poder Judiciário. A Polícia Civil informou que a investigação está em sua fase inicial e que novos desdobramentos devem ocorrer nos próximos dias.

O principal objetivo da DECCOTERC agora é rastrear a cadeia de suprimentos dessas substâncias clandestinas. Os investigadores buscam identificar a origem exata dos produtos, mapeando possíveis fornecedores nacionais ou internacionais, além de verificar se clínicas de estética locais ou outros profissionais da área de saúde e beleza adquiriram os insumos sabendo de sua procedência ilegal. A análise pericial detalhada dos frascos e dos aparelhos eletrônicos apreendidos ajudará a revelar a extensão da rede de distribuição.

Riscos do mercado clandestino

O caso serve como um alerta importante para a população do Piauí e de estados vizinhos sobre os perigos de realizar procedimentos estéticos com produtos de origem duvidosa. Especialistas da área médica reforçam que o consumidor tem o direito e o dever de exigir que o profissional de saúde apresente a embalagem do produto lacrada, contendo o número do lote e o selo de aprovação da Anvisa antes de qualquer aplicação. A busca por preços abaixo da média de mercado em clínicas clandestinas tem sido um dos principais fatores para o aumento de complicações médicas graves associadas à estética no país.

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