
Membros da Polícia Militar do Piauí (PMPI) denunciaram a escassez de armamentos institucionais, munições e fardamentos completos para o desempenho de suas funções no Estado. Conforme relatos obtidos, existem profissionais formados em agosto de 2025 que estão prestes a completar um ano de serviço ativo sem terem recebido uma arma de fogo para uso individual e salvaguarda pessoal fora do expediente.
A denúncia aponta que a precariedade na distribuição de equipamentos básicos afeta de forma mais severa os profissionais lotados no Interior, com destaque para as regiões do sul do Piauí. Diante da falta de fardamento adequado fornecido pelo Estado, alguns policiais relatam a necessidade de adquirir itens básicos, como coturnos, utilizando recursos financeiros do próprio bolso para garantir a continuidade do serviço nas ruas.
De acordo com um dos denunciantes, a ausência de peças de vestuário regulamentares obriga os militares a recorrerem a lojas especializadas em artigos militares para comprar calçados de trabalho. Além dos coturnos, há relatos de soldados que realizam patrulhamento sem o gorro tático, acessório obrigatório do uniforme, devido à indisponibilidade do item nos almoxarifados da corporação e à dificuldade de encontrá-lo para compra no comércio local.
Outro ponto crítico levantado pelos policiais diz respeito à disparidade na distribuição de armamentos e munições entre as diferentes regiões do território piauiense. O cronograma de entregas de novas pistolas da marca Glock teria sido iniciado pela região Norte do Estado, onde cada policial militar recebeu o armamento acompanhado de 50 munições para o serviço diário.
No entanto, ao avançar para a região do Semiárido, contemplando batalhões em municípios como Valença do Piauí e Picos, a quantidade de munição entregue por policial foi reduzida para apenas 15 unidades, segundo as denúncias. Os policiais alegam que o processo de distribuição foi interrompido posteriormente, deixando o efetivo da região Sul desassistido quanto à cautela permanente de armas de fogo.
Os militares expressam forte preocupação com a segurança pessoal e a eficácia do policiamento ostensivo. Eles argumentam que a falta de insumos básicos compromete a capacidade de resposta contra a criminalidade e coloca em risco a vida dos próprios agentes públicos, que se sentem desprotegidos para salvaguardar a sociedade sem o suporte material mínimo exigido para a profissão.
Procurada para esclarecer a situação, a Polícia Militar do Piauí emitiu uma nota oficial assegurando que possui armamentos, munições e equipamentos de proteção individual (EPIs) em quantidade suficiente para suprir todo o efetivo escalado para o serviço diário. A instituição enfatizou que nenhum policial militar é enviado para atividades operacionais desarmado ou sem os recursos necessários para o cumprimento de sua missão.
A corporação orientou que qualquer caso pontual de irregularidade no fornecimento de equipamentos de serviço seja imediatamente reportado ao Comando Geral para a devida apuração e correção. Quanto à concessão da cautela permanente — que permite ao policial portar a arma do Estado mesmo fora de serviço —, a PMPI explicou que a medida é um avanço recente e está sendo implantada de forma gradual.
A concessão do armamento individual definitivo segue as diretrizes da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que exige a realização de capacitação técnica prévia de cada policial antes da entrega do equipamento. Segundo a PMPI, a distribuição já foi concluída nas regiões Centro-Norte e litorânea, encontra-se em fase de finalização no Sudeste do Estado e, em seguida, será estendida para as demais áreas até atingir 100% do efetivo.
O impasse ocorre em meio a anúncios recentes de investimentos na segurança pública do Piauí. Em março deste ano, o Governo do Estado apresentou um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 24 milhões, com recursos oriundos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), voltado para a modernização das forças policiais.
Posteriormente, no mês de maio, a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) realizou a entrega de 160 pistolas Glock para o 23º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Valença do Piauí. Na ocasião, a secretaria informou que o lote fazia parte de um cronograma maior para a distribuição de cerca de mil armas destinadas à região do Semiárido piauiense, visando reforçar a estrutura de combate ao crime no interior.