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PF investiga fraude de R$ 6,5 milhões contra o INSS e cumpre mandado no Piauí

Ação cumpriu mandado de busca em Parnaíba e mira esquema com laudos médicos falsos, servidores públicos e empresários em seis estados

Redação
Por: Redação Fonte: Cidades em Foco
23/09/2026 às 06h01
PF investiga fraude de R$ 6,5 milhões contra o INSS e cumpre mandado no Piauí
Operação Laudo Cego investiga esquema de concessão indevida de benefícios previdenciários — Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, na última terça-feira (22), a Operação Laudo Cego, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação policial visa combater um esquema especializado na obtenção e manutenção ilegal de benefícios previdenciários por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. No Piauí, as equipes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão no município de Parnaíba, localizado no litoral do Estado.

A ofensiva de âmbito nacional não se limitou ao território piauiense. Ao todo, os agentes federais cumpriram 39 mandados de busca e apreensão em diversas cidades espalhadas pelos estados do Maranhão, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará e Ceará. A mobilização é coordenada diretamente pela Polícia Federal e integra os esforços da Força-Tarefa Previdenciária, contando com a colaboração ativa da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social, órgão vinculado ao Ministério da Previdência Social.

Medidas judiciais e bloqueios

Além das buscas domiciliares para recolhimento de provas, o Poder Judiciário determinou a aplicação de medidas cautelares rigorosas contra os investigados. Entre as determinações judiciais estão o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos suspeitos, a proibição de qualquer tipo de contato entre as pessoas sob investigação e a constrição judicial de bens e valores financeiros. Essas ações visam não apenas resguardar a integridade das provas colhidas, mas também garantir o futuro ressarcimento aos cofres públicos federais caso as fraudes sejam formalmente comprovadas ao final do processo.

Origem e funcionamento do esquema

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal, a Operação Laudo Cego é um desdobramento direto das investigações iniciadas durante a Operação Camisaria. Os trabalhos investigativos avançaram após a identificação de fortes indícios de um esquema estruturado para a concessão fraudulenta de benefícios. A organização criminosa contava com uma rede complexa de colaboradores, que incluía a participação de servidores públicos, profissionais da área da saúde, contadores, empresários e intermediários que facilitavam o trâmite ilegal.

As fraudes eram executadas por meio de diferentes artifícios ilícitos. Entre as principais condutas investigadas estão a emissão de laudos médicos falsificados, a criação de vínculos de emprego fictícios para simular a qualidade de segurado e a inserção deliberada de dados falsos nos sistemas informatizados da Previdência Social. Além disso, a polícia aponta que o grupo atuava no recrutamento de pessoas para figurarem como beneficiárias e realizava a movimentação financeira dos recursos obtidos de forma criminosa.

Prejuízo milionário e crimes

Até o momento, a força-tarefa já conseguiu identificar pelo menos 172 benefícios previdenciários com indícios consistentes de fraude. A estimativa preliminar dos investigadores aponta que o esquema criminoso causou um prejuízo de aproximadamente R$ 6,57 milhões ao erário. Com a continuidade das investigações e a análise dos materiais apreendidos, a expectativa é de que novos benefícios irregulares sejam identificados e cancelados, evitando um rombo ainda maior para a Previdência Social.

Os investigados no caso poderão responder por uma série de crimes graves, conforme a participação individual de cada um na organização. Entre as tipificações penais apuradas estão o estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem com o intuito de mapear toda a extensão do esquema, identificar outros possíveis envolvidos e individualizar a conduta de cada integrante do grupo.

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