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Operação internacional impede plano para assassinar delegados no Piauí

Organização criminosa investiu R$ 1 milhão para planejar atentados contra policiais; ação tem desdobramentos na Bolívia e no Uruguai

Redação
Por: Redação Fonte: Portalr10
28/09/2026 às 22h00
Operação internacional impede plano para assassinar delegados no Piauí
Ação policial foi deflagrada para desarticular plano de atentado contra delegados no Piauí — Foto: Divulgação / SSP-PI

Uma grande operação policial de caráter internacional foi deflagrada pela Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que planejava assassinar os delegados Charles Pessoa e Ayslan Magalhães. A ação, realizada nesta segunda-feira (28), visa desarticular a estrutura de comando do grupo, que investiu cerca de R$ 1 milhão na preparação dos atentados contra as autoridades de segurança do Estado.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), o montante financeiro expressivo foi direcionado para a contratação de executores vindos do estado do Ceará, além da aquisição de armamentos, veículos e o aluguel de um imóvel que serviria de base de apoio para a execução do crime. Ao todo, dez pessoas foram identificadas como alvos principais da operação, que conta com o apoio da Interpol devido a ramificações internacionais na Bolívia e no Uruguai.

Atentado frustrado

Os investigadores revelaram que um dos ataques estava planejado para ocorrer no dia 24 de setembro, durante um evento político realizado no bairro Mocambinho, situado na Zona Norte de Teresina. O setor de inteligência da segurança pública identificou a ameaça iminente contra o delegado Charles Pessoa, o que permitiu uma intervenção rápida das forças policiais no local para frustrar a ação dos criminosos. A partir dessa mobilização, novos elementos foram colhidos para robustecer o inquérito policial.

O monitoramento realizado pela quadrilha era minucioso. Os suspeitos acompanhavam de perto a rotina diária de Charles Pessoa, mapeando seus horários de treino em uma academia e acompanhando a divulgação de sua agenda pública de compromissos. A intenção do grupo era aproveitar eventos de grande aglomeração, como atos de campanha eleitoral, para realizar a abordagem e executar o atentado sem dar chances de defesa à autoridade policial.

Motivação financeira

A principal hipótese para a retaliação contra as autoridades policiais está ligada aos severos prejuízos financeiros que a organização criminosa sofreu recentemente. Uma série de operações de combate ao tráfico de drogas, concentradas especialmente na região Norte do Piauí, desestruturou o fluxo de caixa do grupo. O estopim teria sido uma apreensão histórica realizada no município de Bom Princípio do Piauí, onde as forças de segurança localizaram cerca de uma tonelada de cocaína pura enterrada em tambores em uma propriedade rural.

Investigações apontam que grupo criminoso monitorava rotina das autoridades policiais
Investigações apontam que grupo criminoso monitorava rotina das autoridades policiais — Foto: Divulgação / SSP-PI

Incapazes de absorver a perda financeira decorrente da apreensão das drogas, as lideranças da facção atribuíram o prejuízo diretamente à atuação firme dos delegados e decidiram financiar o plano de assassinato como forma de intimidação e vingança. A ousadia do grupo chamou a atenção das autoridades pela capacidade de articulação e pelo volume de recursos mobilizados para o crime.

Estrutura e lideranças

O inquérito detalha uma divisão clara de funções dentro da organização. Entre os principais investigados está A.A.S., conhecido pelo apelido de "Pavão", apontado como membro de um núcleo familiar que exerce forte influência na liderança do grupo. A coordenação prática do plano de morte teria sido delegada a J.V.C., o "Meia-Noite", encarregado de recrutar os pistoleiros na capital cearense, Fortaleza, e providenciar toda a logística necessária para a execução.

Outros nomes de destaque na investigação incluem C.N.F., o "Barba", que atuava como mensageiro das ordens das lideranças, e A.D.P.N., o "Fantasmão", responsável pelo suporte operacional e pela ponte entre os membros do Piauí e de outros estados. Também figura entre os alvos A.L.F.S., o "André da Ilha". A polícia constatou que, mesmo com alguns integrantes já custodiados no sistema prisional, as ordens continuavam sendo transmitidas para o ambiente externo por meio de intermediários que permaneciam em liberdade.

A operação segue em andamento para cumprir todos os mandados judiciais e aprofundar as investigações, buscando identificar outros possíveis colaboradores da rede criminosa que opera além das fronteiras nacionais. O caso reforça a necessidade de vigilância constante e integração entre as forças de segurança estaduais e federais para combater o avanço das facções no Nordeste.

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