
A intensidade do período de estiagem no estado do Piauí atinge diretamente a produção agropecuária e acende o sinal de alerta para o risco de mortalidade dos rebanhos da agricultura familiar. A severa diminuição dos volumes pluviométricos nas últimas semanas vem comprometendo o nível dos reservatórios comunitários, dificultando o abastecimento de água nas localidades rurais e inviabilizando o sustento adequado de criações caprinas, bovinas e ovinas no interior piauiense.
Segundo levantamento oficial, o agravamento do cenário climático levou mais de 70 municípios piauienses ao reconhecimento formal de situação de emergência junto ao Governo Federal. A carência hídrica gera desdobramentos diretos na disponibilidade de forragem e grãos, elevando excessivamente o custo de manutenção dos animais para as famílias que dependem essencialmente da pequena pecuária como principal fonte de renda e subsistência.
Diante da conjuntura crítica no campo, a secretária estadual da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destacou a gravidade do momento vivido pelos criadores do semiárido. De acordo com a gestora, a Secretaria Estadual da Agricultura Familiar (SAF) tem concentrado esforços para acelerar programas e intervenções de infraestrutura hídrica estruturantes, visando conter o avanço das perdas no setor produtivo do interior.
Desde meados de 2024, a gestão estadual implementou medidas preventivas voltadas à convivência com a seca, com a instalação de mais de 3 mil cisternas reservadas precipuamente ao consumo humano. Apesar do avanço conquistado na oferta de água potável para os moradores das comunidades rurais, o volume acumulado nessas estruturas ainda se mostra insuficiente para cobrir as necessidades diárias de dessedentação animal e irrigação de lavouras de pequeno porte.
A titular da pasta explicou que a estratégia atual consiste em expandir o modelo de infraestruturas voltadas diretamente à produção agrícola e pecuária. A implementação de cisternas produtivas é vista como o próximo passo indispensável para garantir que as famílias rurais consigam atravessar os períodos mais rigorosos do ano sem perder seus rebanhos e sem comprometer a estabilidade econômica das propriedades.
Para amenizar os impactos imediatos da escassez de alimento para o gado, a administração pública atua em regime de cooperação com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A parceria viabiliza o fornecimento de milho subsidiado a preços reduzidos para os pequenos produtores locais, amenizando os custos crescentes com ração durante os meses de escassez de pastagem natural.
Além do suporte nutricional viabilizado por meio dos insumos da Conab, órgãos estaduais continuam monitorando de perto a situação pluviométrica e hidrológica em todas as microrregiões do Piauí. Dados compilados pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e pela Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos indicam que o quadro de altas temperaturas e episódios de queimadas intensifica a evaporação dos reservatórios superficiais, agravando o déficit hídrico.
A expansão contínua da estiagem exige planejamento rigoroso e coordenação contínua entre as esferas municipal, estadual e federal. A meta prioritária das autoridades competentes é assegurar a continuidade da assistência técnica e a perfuração de novos poços tubulares, garantindo segurança hídrica e produtiva para os produtores atingidos pela seca prolongada.