
A Escola Municipal Pedro Cronemberger, situada no Povoado Lagoa da Caridade, na zona rural de Simplício Mendes, no Piauí, desenvolveu uma iniciativa pedagógica voltada para a transformação social e ambiental de sua comunidade. O projeto, intitulado “DIVERSIDADE, EQUIDADE E SUSTENTABILIDADE: construindo uma escola para todos”, foi idealizado e coordenado pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Sob a liderança da diretora Jeane Gomes de Sousa e da coordenadora pedagógica Lúcia de Fátima de Sousa, a ação mobilizou estudantes, professores e moradores em torno de debates essenciais para a formação cidadã.
A proposta pedagógica estruturou-se a partir de três eixos fundamentais: o combate ao racismo, o reforço escolar direcionado e a conscientização ecológica. Ao integrar essas diferentes áreas, a instituição buscou criar um ambiente de aprendizado mais inclusivo e conectado com a realidade local. A iniciativa reflete a necessidade de descentralizar ações educativas de grande impacto, levando debates complexos e metodologias ativas para as comunidades rurais do interior piauiense.
No âmbito da equidade na aprendizagem, a equipe escolar utilizou como base os indicadores do Sistema de Avaliação da Educação Básica do Piauí (SAEPI). A partir do diagnóstico detalhado desses dados, os educadores puderam identificar as principais lacunas de aprendizado dos alunos e estruturar um programa de reforço escolar personalizado. Essa abordagem científica e baseada em evidências permitiu que as intervenções pedagógicas fossem mais precisas, garantindo que nenhum estudante ficasse para trás no processo de alfabetização e letramento.
O segundo pilar do projeto focou no letramento racial e na promoção de uma convivência harmoniosa e respeitosa. A escola promoveu uma série de rodas de conversa sobre ancestralidade e valorizou a história de personalidades negras que desempenham papéis de destaque na própria comunidade de Lagoa da Caridade. Para assegurar a continuidade dessas discussões e prevenir manifestações de preconceito no ambiente escolar, foi instituído o Comitê Antirracista, um órgão colegiado encarregado de monitorar e propor ações permanentes de igualdade.
A sustentabilidade foi trabalhada de forma prática e investigativa pelos estudantes. Os alunos foram incentivados a mapear os principais problemas socioambientais do entorno da escola, identificando situações como o acúmulo inadequado de resíduos sólidos e o desperdício de água potável. Após o diagnóstico, o grupo propôs soluções viáveis para mitigar esses impactos e participou ativamente de oficinas de reciclagem, transformando materiais que seriam descartados em novos objetos úteis.
O encerramento das atividades ocorreu com a realização da exposição cultural de culminância, batizada de “Memórias, Ancestralidade e Sustentabilidade”. O evento contou com a participação expressiva da comunidade local, que pôde prestigiar trabalhos artísticos produzidos pelos próprios alunos, como máscaras de inspiração africana, biografias ilustradas de moradores tradicionais do povoado, peças de artesanato sustentável e diversas apresentações culturais que resgataram a identidade da região.
Mais do que um evento temporário, o projeto gerou frutos permanentes para a Escola Municipal Pedro Cronemberger. A gestão escolar confirmou que as práticas de educação antirracista, as oficinas de reciclagem e as estratégias de reforço escolar baseado em dados foram incorporadas de maneira definitiva ao planejamento pedagógico anual da instituição. Dessa forma, a escola consolida seu papel como um polo difusor de cidadania, respeito e preservação ambiental no semiárido piauiense.