
A Polícia Civil do Piauí deflagrou uma operação nesta quinta-feira (13) para combater o furto e a receptação de metais em Teresina. A ação, coordenada pela Diretoria de Operações Policiais (Deop) em conjunto com a 1ª Delegacia Seccional, mirou três estabelecimentos conhecidos como ferros-velhos localizados no bairro Três Andares, na zona Sul da capital. A investigação aponta para um esquema estruturado onde os proprietários de sucatas são suspeitos de atuar como mandantes dos crimes.
Durante a mobilização policial, dois empresários do setor de reciclagem foram conduzidos à Delegacia-Geral de Polícia Civil para prestar esclarecimentos. Embora tenham sido liberados após os depoimentos, a polícia confirmou que ambos responderão criminalmente. De acordo com o delegado Tales Gomes, diretor da Deop, os investigados admitiram formalmente que sabiam da origem ilícita dos materiais comercializados em seus estabelecimentos.
Os proprietários dos ferros-velhos serão indiciados pelo crime de receptação qualificada assim que o inquérito for concluído. A polícia aguarda o resultado dos laudos periciais sobre o material apreendido para embasar formalmente a acusação. Nos locais vistoriados, os agentes encontraram uma quantidade expressiva de cobre armazenada em caixas, além de outros metais como alumínio e aço.
A maior parte do cobre apreendido havia sido extraída de condensadoras de aparelhos de ar-condicionado. Essa prática tem causado prejuízos recorrentes a comerciantes e moradores, especialmente na região do Estádio Albertão. O furto desses componentes compromete o funcionamento dos aparelhos e gera altos custos de manutenção para as vítimas, que frequentemente precisam repor fiações inteiras.
O desdobramento mais grave da investigação revela que os donos de sucatas não atuavam apenas de forma passiva na compra dos materiais roubados. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que os empresários coordenavam ativamente as ações criminosas. Há fortes indícios de que eles aliciavam pessoas em situação de rua e usuários de drogas para realizar os furtos sob encomenda.
Segundo as investigações, a cooptação ocorria principalmente na região central de Teresina e no bairro Monte Castelo. Os suspeitos indicavam quais materiais precisavam e ofereciam valores irrisórios em troca dos metais furtados, aproveitando-se da vulnerabilidade social e da dependência química dessas pessoas para manter o fluxo de abastecimento dos ferros-velhos.
O delegado Tales Gomes explicou que a conduta dos empresários vai além da receptação convencional, caracterizando uma autoria intelectual dos delitos. Enquanto o receptador comum adquire o produto de forma eventual, os alvos da operação planejavam e estimulavam a prática dos furtos na região, garantindo mercado certo para o produto do crime.
A Polícia Civil informou que as fiscalizações em estabelecimentos de reciclagem e ferros-velhos continuarão sendo realizadas de forma contínua na capital e no interior do Estado. O objetivo é sufocar o mercado ilegal de cobre e outros metais, reduzindo consequentemente os índices de furtos de fiação elétrica e vandalismo contra o patrimônio público e privado.