
O município de Petrolina, situado no Sertão de Pernambuco, figura como a terceira cidade mais violenta do estado, de acordo com dados consolidados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento detalhado, que integra o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, revela que a maior cidade do Sertão pernambucano registrou uma taxa preocupante de 43,3 mortes violentas intencionais (MVI) para cada grupo de 100 mil habitantes ao longo do ano de 2025. O índice acende um alerta vermelho para a segurança pública na região do Vale do São Francisco, que compartilha forte integração socioeconômica com municípios vizinhos da Bahia e de Pernambuco.
Em âmbito estadual, o cenário também exige atenção das autoridades. Pernambuco ocupa a quinta posição no ranking nacional de estados com as maiores taxas de mortes violentas intencionais. Em 2025, o território pernambucano registrou uma média de 33 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. Embora o número ainda seja considerado elevado, houve uma redução em comparação com o ano anterior, 2024, quando o estado havia registrado uma taxa de 36,4 mortes violentas por 100 mil habitantes, indicando uma leve tendência de queda que ainda não se refletiu de forma expressiva em Petrolina.
No topo da lista nacional de violência, o estado do Amapá lidera com a maior taxa de mortes violentas intencionais do país, registrando 42,5 casos por 100 mil habitantes. Logo em seguida, aparecem a Bahia, com 36,8; o Ceará, com 34,7; e Alagoas, com 33,1 mortes violentas por 100 mil habitantes. Pernambuco, com sua taxa de 33,0, fecha o grupo dos cinco estados mais violentos do Brasil. A situação de Petrolina chama atenção justamente por apresentar um índice individual de 43,3, que é significativamente superior à média de todo o estado de Pernambuco e até mesmo superior à média do estado mais violento do país.
Para consolidar o índice de Mortes Violentas Intencionais, o FBSP adota uma metodologia padronizada que unifica diferentes tipos de crimes graves registrados pelas secretarias de segurança estaduais. O indicador é composto pela soma das vítimas de homicídios dolosos, que ocorrem quando há a intenção clara de tirar a vida de outra pessoa; latrocínios, caracterizados pelo roubo seguido de morte; feminicídios, que envolvem assassinatos de mulheres em razão do gênero; lesões corporais seguidas de morte; e óbitos decorrentes de intervenções de forças policiais, sejam elas em serviço ou fora dele.
A permanência de Petrolina em uma posição de destaque negativo no cenário da violência estadual evidencia os desafios complexos enfrentados pelas forças de segurança pública na região do Vale do São Francisco. Sendo um polo econômico e de forte atração populacional devido à fruticultura irrigada e ao comércio forte, a cidade lida com dinâmicas urbanas aceleradas que demandam investimentos contínuos em policiamento preventivo, inteligência policial e políticas sociais voltadas para a juventude. A integração entre as polícias Civil e Militar, além do fortalecimento da Guarda Civil Municipal, são apontados por especialistas como caminhos necessários para reverter os índices de criminalidade no município sertanejo. Os dados do anuário servem como base para o planejamento de novas estratégias governamentais de combate à criminalidade na região.