
A Secretaria da Segurança Pública do Estado do Piauí (SSP-PI), por meio da Polícia Civil e da Polícia Militar, deflagrou a Operação Cactus com o objetivo de desarticular um esquema de tráfico de drogas, atuação de facção criminosa e lavagem de dinheiro. A ofensiva foi coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e resultou no cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 20 mandados de busca e apreensão.
As ações policiais mobilizaram equipes em diferentes estados do país. No Piauí, os mandados foram cumpridos na capital, Teresina, e no município de União. A operação também alcançou a cidade de Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, e a capital Cuiabá, em Mato Grosso. Durante os cumprimentos das ordens judiciais, os policiais apreenderam armas de fogo e materiais que auxiliarão no aprofundamento das investigações.
O principal alvo da ação ostensiva foi Igor Barbosa da Silva, conhecido pelo apelido de Igor Gordão. Apontado pelas autoridades policiais como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) com atuação direta no território piauiense, o investigado foi localizado e preso na localidade Centro dos Rodrigues, situada na zona rural de Santo Antônio dos Lopes, a cerca de 400 quilômetros de Teresina.
De acordo com os levantamentos realizados pelos investigadores do Denarc, Igor desempenhava um papel estratégico na gestão financeira da organização criminosa. O trabalho de inteligência identificou intensa movimentação de valores em patamares completamente incompatíveis com os rendimentos declarados pelo suspeito, revelando indícios consistentes de ocultação de patrimônio e lavagem de capitais.
A investigação policial também apontou o envolvimento de sua companheira em transações e movimentações financeiras atreladas ao grupo investigado. As informações coletadas indicam que a estrutura utilizava contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para dissimular a origem ilícita dos recursos obtidos por meio do comércio ilegal de entorpecentes.
Diante dos elementos apresentados pela Polícia Civil, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens vinculados aos investigados e às empresas sob suspeita. A decisão judicial fixou a indisponibilidade de até R$ 487 mil em ativos pertencentes a Igor Barbosa da Silva, além do bloqueio de até R$ 625 mil nas contas de sua esposa.
O montante total das restrições patrimoniais atinge a casa dos milhões de reais, abrangendo diversas pessoas físicas e jurídicas apontadas como operadoras do esquema de lavagem de dinheiro. Além dos valores bloqueados, a Justiça decretou o sequestro de 60 veículos e a indisponibilidade de um apartamento localizado em Teresina, adquirido por R$ 300 mil com pagamento efetuado integralmente à vista.
A determinação do Judiciário também incluiu a suspensão temporária das atividades comerciais das empresas investigadas, buscando interromper o fluxo financeiro do grupo. Os mandados de prisão temporária expedidos contra os 11 investigados possuem validade inicial de 30 dias, período no qual novas diligências e oitivas serão realizadas pelos policiais encarregados do inquérito.
A Operação Cactus faz parte da diretriz da Segurança Pública do Piauí voltada para o combate estruturado ao crime organizado. O foco da estratégia do Denarc é desestruturar não apenas as rotas de fornecimento e distribuição de drogas, mas principalmente desmantelar o braço econômico que viabiliza a manutenção e a expansão das atividades criminosas no estado.
O coordenador do Denarc, delegado Samuel Silveira, enfatizou que o enfraquecimento das finanças é essencial no combate às facções. De acordo com a autoridade policial, o objetivo principal foi atingir as lideranças do PCC e responsabilizar aqueles que utilizam negócios e empreendimentos para ocultar valores do tráfico de drogas, assegurando a responsabilização de todos os envolvidos no esquema.
Os trabalhos de apuração continuam sob a responsabilidade da Polícia Civil, que analisa o material apreendido nas buscas para identificar outros integrantes da rede e detalhar todo o caminho percorrido pelo dinheiro ilícito. As autoridades ressaltam que todas as medidas judiciais e imputações integram a fase de inquérito, respeitando o devido processo legal e as garantias constitucionais dos investigados.