
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de nível de "Perigo" devido aos baixos índices de umidade relativa do ar, abrangendo 180 municípios do Piauí. O aviso meteorológico teve início na manhã desta quarta-feira (7) e segue vigente até o final do dia, acendendo o sinal de alerta para a saúde pública e para o risco de queimadas em grande parte do território piauiense.
De acordo com o órgão meteorológico, a umidade relativa do ar deve oscilar entre 12% e 20% nas áreas sob monitoramento. Esse patamar é considerado extremamente crítico, assemelhando-se a índices registrados em regiões desérticas. A situação é agravada pelo período de estiagem prolongada e pelas altas temperaturas que historicamente castigam o estado nesta época do ano, conhecida popularmente como o período do "B-R-O Bró".
O alerta de baixa umidade ocorre logo após o registro de temperaturas recordes no estado. Na última terça-feira (6), a capital, Teresina, registrou a maior temperatura do Brasil, com um sensor do Inmet marcando impressionantes 43,98°C. O calor extremo não ficou restrito à capital. Outras seis cidades piauienses figuraram na lista das dez mais quentes do país, incluindo Oeiras, que registrou 40,8°C; Campo Maior, com 39,7°C; e Picos, importante polo da região centro-sul, que atingiu 39°C.
Os territórios afetados pelo alerta de perigo englobam uma vasta extensão geográfica do Piauí. Entre as regiões mapeadas estão a Chapada das Mangabeiras, o Vale dos Rios Piauí e Itaueira, o Tabuleiro do Alto Parnaíba, a Serra da Capivara, a Chapada Vale do Itaim, o Vale do Rio Guaribas, o Vale do Canindé, o Vale do Sambito, além de Entre Rios e Carnaubais. Essa abrangência demonstra que o fenômeno atinge desde o extremo sul até o norte do estado, demandando atenção redobrada das autoridades locais.
Diante do cenário de severidade climática, a Defesa Civil do Estado do Piauí intensificou as ações de conscientização e monitoramento. O diretor de Prevenção e Mitigação do órgão, Werton Costa, destacou que as variações térmicas identificadas pelo Centro de Gerenciamento de Risco apontam para uma situação de gravidade. Segundo o gestor, foram detectadas diferenças de temperatura de até quatro graus em relação à média esperada, o que eleva substancialmente o nível de risco para a população.

Para mitigar os impactos do clima seco, a Defesa Civil tem disparado alertas via SMS e mantido contato direto com as coordenações municipais nos 180 municípios afetados. O objetivo é mobilizar as comunidades e garantir que as recomendações básicas de saúde sejam amplamente divulgadas. A principal orientação médica e de segurança é a hidratação constante, priorizando o consumo de água e sucos naturais ao longo de todo o dia, mesmo sem a sensação imediata de sede.
Além disso, especialistas recomendam fortemente que a população evite a prática de atividades físicas ao ar livre nos horários de maior incidência solar, especificamente entre as 11h e as 17h. Outras medidas preventivas incluem o uso de hidratantes corporais para evitar o ressecamento da pele, a umidificação de ambientes residenciais e de trabalho por meio de toalhas úmidas, bacias com água ou aparelhos umidificadores, e a escolha por roupas leves e de cores claras.
Além dos severos danos que a baixa umidade pode causar ao corpo humano — como problemas respiratórios, dores de cabeça, irritação nos olhos e garganta seca —, o fator climático é um forte catalisador para desastres ambientais. Com a vegetação da caatinga e do cerrado extremamente seca, qualquer faísca pode dar início a grandes incêndios florestais, difíceis de serem controlados devido aos ventos fortes comuns nesta temporada.
As autoridades reforçam que a queima de lixo, pastagens ou qualquer tipo de fogo em áreas abertas deve ser totalmente evitada. Em caso de emergências relacionadas a focos de incêndio ou problemas de saúde decorrentes do calor, a população deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a própria Defesa Civil do município.