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Piauí consolida produção de mel em 146 municípios com destaque para o semiárido

São Raimundo Nonato lidera no estado e ocupa a quarta posição nacional; cerca de 93% do mel piauiense possui certificação orgânica

Redação
Por: Redação Fonte: Portal Noticiei
08/10/2026 às 11h01
Piauí consolida produção de mel em 146 municípios com destaque para o semiárido
Apicultura familiar se consolida como importante fonte de renda no semiárido do Piauí — Foto: Divulgação

A atividade apícola se consolidou como uma das principais forças econômicas e sociais do Piauí, alcançando 146 dos 224 municípios do estado. De acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de mel está presente em 65,17% do território piauiense. O levantamento aponta que, no ano de 2025, o estado registrou uma produção expressiva de 8.560 toneladas de mel, o que assegura ao Piauí uma posição de destaque no cenário nacional, respondendo por cerca de 12% de toda a produção do país e mantendo o estado firme no grupo dos três maiores produtores do Brasil.

No âmbito municipal, o destaque fica por conta de São Raimundo Nonato, localizado na região sudeste do estado, que se consolidou como o maior produtor do Piauí e o quarto maior do Brasil, com uma produção de 897,4 toneladas. Outro município piauiense que figura no ranking das dez maiores cidades produtoras de mel do país é Picos, que ocupa a décima posição nacional com um volume de 724 toneladas. Esses números evidenciam a força da apicultura na região semiárida, onde a atividade se tornou uma alternativa viável e altamente rentável para milhares de famílias de pequenos produtores.

Diferencial orgânico e preservação

Um dos grandes diferenciais do mel produzido em solo piauiense é a sua pureza e qualidade. Estima-se que aproximadamente 93% de todo o mel gerado no estado conte com certificação orgânica formal, enquanto uma fatia ainda maior, variando entre 98% e 99%, apresenta características típicas de produção orgânica. Essa condição valoriza o produto tanto no mercado interno quanto no exterior, abrindo portas para a exportação e garantindo melhores preços para os apicultores locais.

Segundo o diretor de Projetos do Semiárido da Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF), Francisco das Chagas, a geografia e a flora locais desempenham um papel crucial nessa qualidade diferenciada. Ele ressalta que o estado possui uma das floradas nativas mais limpas e diversificadas do país, o que se deve diretamente à preservação das áreas de vegetação nativa da Caatinga. Esse ecossistema preservado garante que as abelhas tenham acesso a um alimento livre de agrotóxicos e poluição, resultando em um mel de altíssimo padrão.

Apoio e sustentabilidade no campo

Para sustentar o crescimento desse setor e garantir que os produtores familiares continuem competitivos, a SAF desenvolve ações contínuas ao longo do ano. Entre as principais iniciativas estão a distribuição de colmeias modernas, o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) para garantir a segurança no manejo, a construção de casas de mel estruturadas para o beneficiamento adequado do produto e a realização de capacitações técnicas voltadas para o manejo produtivo e sustentável.

Além disso, o planejamento governamental leva em consideração os desafios impostos pelas mudanças climáticas que afetam diretamente a região do semiárido. Para mitigar esses impactos, são promovidas ações de recatingamento, implantação de viveiros de mudas nativas e incentivo à diversificação das atividades produtivas nas propriedades rurais. Essas medidas visam assegurar que, mesmo em períodos de estiagem prolongada, as famílias agricultoras consigam manter suas fontes de renda e preservar o meio ambiente.

A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, enfatiza que os dados do IBGE comprovam como a apicultura se integrou de forma definitiva à dinâmica socioeconômica do Piauí. Ela destaca que a atividade une de forma harmônica a vocação natural do território com a capacidade de trabalho das famílias do campo, gerando riqueza sem agredir o bioma local. O foco da gestão, segundo a secretária, é seguir estruturando a cadeia produtiva, aprimorando os processos de beneficiamento e abrindo novos canais de comercialização para o mel piauiense.

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