
A produção de mel consolidou-se como uma das principais forças econômicas do Piauí, alcançando uma expressiva capilaridade territorial. De acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a atividade apícola está presente em 146 dos 224 municípios do estado. Esse número representa que 65,17% do território piauiense possui produtores dedicados à criação de abelhas e à extração de mel, evidenciando a importância do setor para o desenvolvimento regional.
O levantamento aponta que, no ano de 2025, o Piauí registrou uma produção total de 8.560 toneladas de mel. Com esse volume expressivo, o estado se mantém firmemente posicionado entre os três maiores produtores de mel de todo o Brasil, sendo responsável por cerca de 12% de toda a produção nacional. Esse desempenho é impulsionado, em grande parte, pela forte atuação da agricultura familiar, que encontra na apicultura uma alternativa viável e sustentável de geração de renda.
No cenário nacional, o estado se sobressai não apenas pelo volume global, mas também pelo desempenho individual de seus municípios. O Piauí possui duas cidades figurando no ranking dos dez maiores produtores de mel do país. O município de São Raimundo Nonato, localizado na região sudeste do estado, ocupa a quarta posição nacional, com uma produção de 897,4 toneladas. Logo em seguida, a cidade de Picos aparece na décima colocação do ranking brasileiro, registrando a marca de 724 toneladas de mel produzidas.
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Cadeia produtiva do mel gera emprego e renda para milhares de famílias no semiárido piauiense (Foto: Divulgação/SAF)
Além da quantidade, a qualidade do produto piauiense é um dos principais diferenciais competitivos no mercado interno e externo. Aproximadamente 93% de todo o mel produzido no território estadual conta com certificação orgânica formalizada. Além disso, estima-se que entre 98% e 99% de toda a produção local apresente características típicas de cultivo orgânico, livre de defensivos químicos ou contaminantes, o que eleva o valor agregado do produto no mercado internacional.
Segundo o diretor de Projetos do Semiárido da Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF), Francisco das Chagas, a preservação ambiental e as características geográficas locais são determinantes para esse padrão de excelência. O gestor ressaltou que o estado possui uma vantagem natural única, caracterizada por áreas de vegetação nativa preservadas e uma diversidade de floradas limpas que poucos estados brasileiros conseguem oferecer aos apicultores.
Para assegurar a continuidade do crescimento do setor e mitigar os impactos das variações climáticas comuns na região do semiárido, a SAF desenvolve ações contínuas de fomento e estruturação. Entre as principais medidas adotadas pelo órgão estadual estão a distribuição gratuita de colmeias, o fornecimento de equipamentos de proteção individual para os trabalhadores, a construção de unidades de beneficiamento (casas de mel) e a realização de cursos de capacitação voltados ao manejo adequado das colônias.

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Investimentos estatais buscam estruturar casas de mel e capacitar produtores locais (Foto: Divulgação/SAF)
O planejamento governamental também engloba estratégias de convivência com a seca e preservação ecológica. A secretaria incentiva projetos de recatingamento, implantação de viveiros de mudas nativas e a diversificação das atividades agrícolas nas propriedades rurais. Essas iniciativas visam garantir que as famílias de agricultores tenham fontes alternativas de subsistência e consigam manter a produção mesmo em períodos de estiagem prolongada.
A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, enfatizou que os dados apresentados pelo IBGE consolidam a apicultura como um pilar essencial da economia piauiense. A gestora apontou que a atividade une de forma harmônica o potencial natural do semiárido com a força de trabalho das comunidades locais. De acordo com a secretária, o foco das próximas ações do governo estadual será o aprimoramento do beneficiamento do mel e a abertura de novos canais de comercialização para valorizar ainda mais o trabalho dos produtores piauienses.