
O eleitorado do Piauí definiu a nova composição da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí (Alepi) para a legislatura que se inicia em 2027, mantendo uma baixa representatividade feminina no parlamento estadual. Ao todo, apenas quatro mulheres foram eleitas para ocupar as 30 cadeiras da Casa de Leis, o que equivale a 13,3% do total de vagas disponíveis. O resultado repete exatamente o mesmo desempenho registrado no pleito de 2022, evidenciando a dificuldade de ampliação do espaço feminino na política piauiense.
Entre as parlamentares que asseguraram assento na Alepi, três conseguiram renovar seus mandatos para mais quatro anos, enquanto apenas uma ingressará no legislativo estadual pela primeira vez. A deputada eleita Anyara Santos (MDB) despontou como a mulher mais votada neste pleito, conquistando a confiança de 51.919 eleitores. A votação expressiva consolida sua liderança e garante sua estreia no parlamento estadual a partir do próximo ano.
Além dela, o grupo de deputadas estaduais para a próxima legislatura será composto por Janainna Marques (PT), que obteve 49.601 votos; Ana Paula (MDB), eleita com o apoio de 47.356 cidadãos; e Simone Pereira (PSD), que recebeu 33.914 votos e garantiu a sua reeleição para dar continuidade aos trabalhos na assembleia.
Se na esfera estadual a representação feminina permaneceu estagnada, o cenário para os cargos federais foi ainda mais restritivo. Nenhuma candidata do Piauí conseguiu se eleger para a Câmara dos Deputados ou para o Senado Federal nas eleições deste ano. Para as duas vagas em disputa no Senado, os eleitores piauienses optaram por reconduzir Marcelo Castro (MDB) e eleger Júlio César (PSD), mantendo a bancada do estado em Brasília exclusivamente masculina.
A ausência de mulheres na bancada federal piauiense prolonga um hiato que já dura alguns anos. A última vez que o Estado elegeu representantes do sexo feminino para a Câmara dos Deputados foi no pleito de 2018, ocasião em que quatro candidatas conseguiram conquistar cadeiras entre as dez vagas destinadas ao território piauiense no Congresso Nacional. Desde então, o espaço de decisão federal tem sido ocupado majoritariamente por homens.
Os números da representação política feminina contrastam fortemente com o perfil demográfico do eleitorado local. De acordo com dados oficiais do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), as mulheres constituem a maioria absoluta dos cidadãos aptos a votar no estado. Elas representam 51,71% do eleitorado piauiense, somando mais de 1,4 milhão de eleitoras registradas.
Esse descompasso entre a maioria de eleitoras e a minoria de eleitas levanta debates recorrentes entre analistas políticos e movimentos sociais sobre a eficácia das cotas de gênero e o real incentivo dos partidos políticos para viabilizar candidaturas femininas competitivas. Embora a legislação eleitoral exija uma cota mínima de 30% de candidaturas de cada gênero e a distribuição proporcional de recursos de campanha, a conversão dessas candidaturas em mandatos efetivos ainda enfrenta barreiras estruturais significativas no Piauí.
Com a diplomação dos eleitos prevista para o final deste ano e a posse agendada para o início de 2027, as quatro deputadas estaduais terão o desafio de representar as demandas da população feminina em um plenário majoritariamente masculino, onde pautas voltadas para a saúde da mulher, combate à violência doméstica e igualdade de oportunidades deverão seguir como prioridades de seus mandatos.