
O estado do Piauí contabilizou um total de 1.848 focos de queimadas ao longo do mês de setembro de 2026. De acordo com os dados oficiais do Banco de Dados de Queimadas (BD Queimadas), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), quase 40% de todas as ocorrências do período concentraram-se em apenas uma semana, especificamente entre os dias 14 e 20 de setembro, quando foram identificados 738 registros de calor no território piauiense.
Apesar do volume expressivo de incêndios florestais e focos de calor registrados, o balanço do nono mês do ano apresentou uma redução quando comparado ao mesmo período de 2025. No ano anterior, o monitoramento por satélites do Inpe havia apontado 2.147 ocorrências no estado. A análise geográfica detalhada revela que a maior parte dos focos de incêndio ocorreu na região do Cerrado piauiense, bioma que concentrou 1.256 registros, enquanto a Caatinga respondeu por 592 ocorrências.
No mapeamento por municípios, a cidade de Uruçuí, situada na região sudoeste do estado, liderou o ranking de queimadas em setembro, somando 166 focos. O município de Corrente ocupou a segunda posição com 140 registros, seguido de perto por Gilbués, que contabilizou 88 ocorrências. Outras localidades também apresentaram índices elevados de focos de calor detectados pelos satélites de monitoramento.
Entre as cidades com números significativos estão Palmeira do Piauí, com 85 focos, e Baixa Grande do Ribeiro, com 80 registros. O município histórico de Oeiras registrou 77 ocorrências, enquanto Barreiras do Piauí e Santa Filomena empataram com 75 focos cada. Completam a lista dos municípios mais afetados as cidades de Ribeiro Gonçalves (70 focos), Jerumenha (52 focos) e São Gonçalo do Gurguéia (50 focos).
Diante do cenário de estiagem e do aumento expressivo das temperaturas, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Piauí reforçou os alertas e as orientações para a população. A corporação destaca que pequenas atitudes cotidianas podem evitar tragédias ambientais de grandes proporções. A principal recomendação das autoridades de segurança é evitar completamente a queima de lixo doméstico e entulhos, além de redobrar a atenção ao manusear fogo em áreas abertas ou próximas a matagais secos.
Para as pessoas que realizam fogueiras em acampamentos ou propriedades rurais, os bombeiros orientam que seja feita uma limpeza minuciosa no entorno da área antes de acender o fogo. É fundamental garantir que as brasas estejam totalmente apagadas e resfriadas antes de deixar o local. Outro fator de risco frequente é o descarte inadequado de bitucas de cigarro em rodovias e margens de estradas, que frequentemente servem como estopim para incêndios de rápida propagação na vegetação seca.
A prática de soltar balões também foi severamente desaconselhada pelas autoridades, que lembram que a atividade configura crime ambiental capitulado no artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais. Além disso, manter terrenos urbanos e quintais limpos e capinados ajuda a reduzir o acúmulo de combustível vegetal seco. Para denunciar focos de incêndio descontrolados ou queimadas ilegais, a população pode entrar em contato diretamente com o Corpo de Bombeiros por meio do telefone de emergência (86) 9 9421-6693.