
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) instaurou um inquérito civil público para apurar a falta de realização de concurso público no município de Avelino Lopes, situado no extremo sul do estado. A investigação, conduzida pelo promotor de Justiça Luciano Lopes Sales, foca em possíveis irregularidades na política de provimento de cargos e na valorização dos profissionais da educação básica na rede municipal de ensino.
De acordo com as informações divulgadas pelo órgão ministerial, a prefeitura de Avelino Lopes não realiza certames públicos para o preenchimento de vagas efetivas há mais de 11 anos. Essa ausência prolongada de concursos tem gerado impactos diretos na qualidade do ensino oferecido à população local. Dados oficiais do Ministério da Educação (MEC) revelam que o índice de inadequação docente no município atinge a marca de 58,7%, um patamar considerado preocupante pelas autoridades de controle.
Os indicadores apresentados pelo MEC são calculados de forma minuciosa, levando em consideração critérios como as formas de ingresso dos profissionais no serviço público, a compatibilidade da formação acadêmica com as disciplinas lecionadas, as funções efetivamente exercidas nas escolas, o volume de contratações temporárias e a real necessidade de novos concursos públicos. A alta taxa de inadequação sugere que a maior parte dos professores em sala de aula pode não possuir a habilitação específica exigida para as matérias que ministram ou que os vínculos de trabalho são precários.
Diante da gravidade do cenário, o promotor de Justiça determinou que a administração municipal apresente esclarecimentos detalhados em um prazo de até 30 dias. A requisição foi direcionada diretamente ao prefeito e ao secretário municipal de Educação de Avelino Lopes. Entre os documentos exigidos estão a relação completa de todos os profissionais do magistério que atuam na rede pública, bem como a comprovação de adesão do município à Prova Nacional Docente de 2026.
Além das cobranças ao poder executivo local, o Ministério Público também oficiou o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI). A corte de contas terá o mesmo prazo de 30 dias para encaminhar relatórios e informações sobre eventuais irregularidades fiscais ou administrativas na prefeitura. O foco do TCE-PI será identificar se o município tem recorrido de forma sistemática a contratações temporárias ou a outros tipos de vínculos precários para suprir demandas que deveriam ser atendidas por servidores efetivos e aprovados em concurso público.
O procedimento investigativo teve origem a partir de uma notícia de fato registrada no próprio Ministério Público no decorrer do ano de 2026. A investigação ganhou robustez após a emissão de um parecer técnico elaborado pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação (Caoeduc), órgão especializado do MPPI. Esse parecer utilizou dados consolidados do Painel de Priorização da Prova Nacional Docente para fundamentar a necessidade de intervenção jurídica na gestão educacional de Avelino Lopes.
A prática de manter profissionais sob contratos temporários por longos períodos, sem a devida realização de concurso público, é constantemente alvo de fiscalização pelos órgãos de controle externo no Piauí. A Constituição Federal estabelece que a aprovação em certame público é a regra para o ingresso no serviço público, permitindo contratações temporárias apenas em situações excepcionais e de interesse público temporário. O espaço segue aberto para que a Prefeitura de Avelino Lopes e a Secretaria Municipal de Educação apresentem suas manifestações e esclarecimentos sobre o caso.