
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um novo alerta de baixa umidade relativa do ar classificado na categoria de Perigo Potencial (bandeira amarela) para dezenas de municípios do Piauí. O aviso meteorológico, que teve início no último sábado (19), segue vigente até as 23h59 desta terça-feira (22). Durante esse intervalo, os índices de umidade devem oscilar entre 20% e 30%, patamar consideravelmente abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece o nível ideal acima de 60%.
Apesar de o nível de severidade ser considerado inicial, a persistência do tempo seco exige atenção redobrada da população piauiense, especialmente nas regiões do semiárido, centro-sul e sudeste do Estado. De acordo com especialistas, a combinação de baixa umidade com a ausência de chuvas é típica deste período do ano, conhecido popularmente na região como "B-R-O Bró", que compreende os meses de setembro a dezembro, caracterizados pelas temperaturas mais elevadas e ventos moderados.
A meteorologista Sônia Feitosa, vinculada à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado, alertou que a tendência para os próximos dias é de elevação ainda maior nos termômetros. Segundo a especialista, diversos municípios piauienses devem registrar temperaturas máximas que ultrapassam a marca dos 40°C. Esse calor extremo, associado ao ar seco, potencializa o desconforto térmico e acelera o processo de desidratação corporal.
O mapa de monitoramento do Inmet aponta que a massa de ar seco atinge não apenas o Piauí, mas também áreas vizinhas nos estados de Pernambuco, Bahia, Ceará e Maranhão. Essa configuração climática é comum no Nordeste brasileiro durante o segundo semestre, quando os sistemas de alta pressão atmosférica impedem a formação de nuvens de chuva, resultando em dias ensolarados e noites com rápida perda de calor.

A baixa umidade do ar interfere diretamente no bem-estar físico. Entre os principais sintomas relatados pela população durante este período estão o ressecamento da pele, irritação nos olhos, garganta seca e dificuldades respiratórias, que costumam afetar principalmente pessoas com histórico de asma, rinite ou bronquite. Profissionais de saúde recomendam que a ingestão de água seja intensificada, mesmo quando não houver sensação imediata de sede.
Outra orientação importante é evitar a prática de atividades físicas ao ar livre nos horários de maior incidência solar, especificamente entre as 10h e as 16h. Para aliviar o desconforto em ambientes fechados, recomenda-se o uso de aparelhos umidificadores de ar, toalhas molhadas ou recipientes com água nos quartos, além de manter as janelas abertas para circulação do vento nos momentos mais frescos do dia.
Embora o alerta do Inmet indique um risco considerado baixo para a ocorrência de grandes incêndios florestais neste momento, as autoridades de segurança pública e o Corpo de Bombeiros alertam que qualquer fagulha pode dar início a queimadas de proporções incontroláveis. A vegetação da caatinga, bastante seca nesta época, torna-se um combustível altamente inflamável.
Por essa razão, práticas como a queima de lixo doméstico, a limpeza de terrenos utilizando fogo e o descarte incorreto de bitucas de cigarro às margens de rodovias estaduais e federais devem ser totalmente evitadas. A conscientização coletiva é fundamental para preservar a fauna, a flora e evitar acidentes graves que possam comprometer a visibilidade nas estradas da região.