
O estado do Piauí registrou uma marca significativa no processo de fiscalização das campanhas políticas deste ano. De acordo com o levantamento mais recente divulgado pela Justiça Eleitoral, o território piauiense já ultrapassou a marca de 100 denúncias de irregularidades eleitorais formalizadas por meio do aplicativo Pardal. Ao todo, foram contabilizados 101 registros distribuídos por 19 municípios do estado, evidenciando a participação ativa dos cidadãos no monitoramento do pleito e na busca por eleições mais limpas e equilibradas.
A ferramenta digital, desenvolvida para facilitar a comunicação de abusos e práticas ilegais durante o período de propaganda, tem sido amplamente utilizada pela população. Os dados consolidados revelam que a maior parte das queixas está concentrada em cargos do legislativo estadual, mas também alcança candidaturas majoritárias e representações partidárias. O balanço serve como um termômetro para a atuação dos órgãos de controle, que devem intensificar a fiscalização nas regiões com maior incidência de notificações.
Dentre as candidaturas que acumulam o maior número de contestações na plataforma, os postulantes ao cargo de deputado estadual lideram de forma isolada. Eles são alvo de 45 peticionamentos formais encaminhados por meio do sistema. Essa concentração reflete a intensidade da disputa pelas vagas na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), onde o volume de candidatos nas ruas e nas redes sociais costuma ser significativamente maior, ampliando as chances de ocorrência de infrações.
Na segunda posição do ranking de denúncias, aparecem empatados os partidos políticos, coligações e federações partidárias, juntamente com os candidatos ao cargo de deputado federal. Cada um desses grupos registrou 22 queixas formais no sistema. Logo em seguida, os candidatos que disputam o comando do Governo do Estado somam 10 registros de irregularidades, enquanto os concorrentes ao Senado Federal aparecem com apenas duas denúncias contabilizadas até o momento.
No que diz respeito à natureza das infrações apontadas pelos eleitores piauienses, o uso indevido de equipamentos sonoros lidera as estatísticas. As denúncias envolvendo carros de som, minitrios e trios elétricos somam 21 registros, caracterizando-se como o principal incômodo ou desrespeito às regras vigentes. A legislação eleitoral impõe limites rígidos de horário, volume e proximidade de prédios públicos para o funcionamento desses veículos, regras que frequentemente são descumpridas pelas equipes de campanha.
Outro ponto de forte atenção é o ambiente virtual. A propaganda irregular na internet e o uso indevido de bens públicos aparecem empatados na segunda colocação das queixas, com 11 registros cada. O avanço das campanhas digitais tem gerado desafios adicionais para a Justiça Eleitoral, que precisa agir rapidamente para coibir abusos em redes sociais e portais de conteúdo. Além disso, o uso de vias públicas para a veiculação de publicidade eleitoral gerou outras 10 notificações na plataforma.
A distribuição geográfica das denúncias mostra uma forte concentração na capital do estado. Teresina reúne a grande maioria dos casos, com 61 das 101 queixas registradas em todo o território piauiense. No interior, o município de Parnaíba, localizado no litoral do estado, aparece na segunda posição com 10 registros, seguido de perto por Piripiri, que soma oito reclamações formais no sistema do Tribunal Regional Eleitoral.
Outras cidades de médio porte também figuram no levantamento com múltiplos registros, como Campo Maior, com três casos, além de Geminiano, Pedro II, Regeneração e Valença do Piauí, que possuem duas denúncias cada. O relatório aponta ainda uma série de municípios com apenas uma ocorrência registrada. Entre eles estão cidades importantes da região sudeste e do interior do estado, como Picos, São Raimundo Nonato, Canto do Buriti e Simões, além de Água Branca, Altos, Baixa Grande do Ribeiro, Barras, Cristino Castro, Esperantina e Monsenhor Gil.
O aplicativo Pardal continua disponível para download gratuito nas lojas virtuais de dispositivos móveis. Através dele, qualquer cidadão pode enviar fotos, vídeos e relatos detalhados de condutas que considerem ilegais, como compra de votos, uso da máquina pública ou propaganda irregular. As denúncias são triadas e encaminhadas diretamente ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e aos juízes de cada zona eleitoral para que as medidas cabíveis sejam adotadas de forma célere.