
O estado do Piauí registrou uma acentuada amplitude térmica e índices críticos de umidade relativa do ar nas últimas 24 horas. De acordo com dados divulgados pelo Sistema de Acompanhamento e Monitoramento de Eventos Climáticos Extremos (SAMPECE), órgão vinculado à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (SEMARH-PI), os termômetros flutuaram de forma expressiva, aproximando-se da marca de 40°C no período da tarde e despencando para marcas amenas de até 17,5°C durante a madrugada e as primeiras horas da manhã.
Essa forte variação de temperatura e o tempo extremamente seco são característicos deste período do ano na região Nordeste. O monitoramento oficial aponta que o calor mais intenso concentrou-se na tarde de terça-feira, dia 8 de setembro, afetando de forma severa diversas regiões do território piauiense, enquanto o resfriamento mais acentuado foi sentido no amanhecer de quarta-feira, dia 9 de setembro.
O levantamento meteorológico detalhado da SEMARH-PI revelou quais cidades enfrentaram os picos de calor mais severos. O município de Piripiri liderou o ranking de calor no estado, registrando a temperatura máxima de 39,6°C. Logo em seguida, a histórica cidade de Oeiras marcou 39,3°C, enquanto o município de Castelo do Piauí atingiu a máxima de 39,1°C nas horas de maior insolação.
Por outro lado, o início do dia seguinte trouxe um cenário completamente oposto para os moradores de outras localidades piauienses. O município de São Raimundo Nonato, situado na região sudeste do estado, registrou a menor temperatura do Piauí nas primeiras horas da manhã de quarta-feira, com os termômetros marcando 17,5°C. Outra cidade que apresentou clima ameno no mesmo período foi Paes Landim, onde a mínima registrada foi de 19,0°C.
Além do calor intenso que marcou o período vespertino, o Piauí enfrentou condições atmosféricas de extrema secura. Os índices de umidade relativa do ar despencaram em todo o território estadual durante a tarde, variando entre patamares preocupantes de 14% e 29%. O cenário mais crítico foi observado no município de São João do Piauí, que registrou apenas 14% de umidade relativa do ar, um nível considerado de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Esses índices de umidade excessivamente baixos exigem atenção redobrada da população e das autoridades de saúde. Quando a umidade do ar fica abaixo de 20%, aumentam significativamente os riscos de problemas respiratórios, desidratação, irritação nos olhos e garganta, além de favorecer a ocorrência de queimadas e incêndios florestais na vegetação nativa da caatinga e do cerrado.

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Massa de ar quente e seco inibe a formação de nuvens e eleva temperaturas no estado (Foto: Divulgação/Semarh)
Os especialistas do SAMPECE e da SEMARH-PI explicam que o forte contraste térmico entre o dia e a noite, bem como a baixa umidade, são provocados pela forte influência de uma massa de ar quente e seco que se estabeleceu sobre o estado. Esse sistema de alta pressão atua como um bloqueio atmosférico, impedindo a formação de nuvens de chuva e reduzindo significativamente a nebulosidade na região.
Sem a presença de nuvens para filtrar os raios solares, a superfície terrestre recebe uma quantidade muito elevada de radiação solar direta ao longo do dia, o que provoca o aquecimento rápido e intenso da atmosfera durante a tarde. À noite, o processo se inverte: a ausência de cobertura de nuvens facilita a perda radiativa de calor para o espaço. Sem uma barreira para reter o calor próximo ao solo, a temperatura cai rapidamente, resultando em madrugadas e manhãs consideravelmente frias.
Diante do quadro de calor extremo e ar seco, órgãos de saúde e de defesa civil recomendam que a população adote medidas preventivas rigorosas. A principal orientação é manter uma hidratação constante, consumindo bastante água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede. Também é aconselhável evitar a prática de atividades físicas intensas ao ar livre nos horários de maior calor, especialmente entre as 10h e as 16h.
Outras medidas importantes incluem o uso de protetor solar, chapéus ou bonés ao sair ao sol, além de manter os ambientes internos umidificados com o uso de vaporizadores, bacias com água ou toalhas molhadas. A atenção deve ser redobrada com crianças e idosos, que são mais vulneráveis aos efeitos da desidratação e das variações bruscas de temperatura.