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Casos de pessoas desaparecidas crescem mais de 16% no Piauí em 2026

Estado registrou 415 ocorrências no primeiro semestre; campanha nacional de coleta de DNA busca auxiliar na identificação de vítimas

Redação
Por: Redação Fonte: Cidades em Foco
21/08/2026 às 08h01
Casos de pessoas desaparecidas crescem mais de 16% no Piauí em 2026
Piauí registrou aumento no número de boletins de ocorrência por desaparecimento no primeiro semestre de 2026 — Foto: Divulgação

O Estado do Piauí registrou um aumento de 16,57% no número de pessoas desaparecidas durante o primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram contabilizadas 415 ocorrências entre janeiro e junho deste ano, o que representa uma média superior a dois casos por dia. No primeiro semestre de 2025, o estado havia somado 356 registros dessa natureza.

O perfil das vítimas aponta que os homens adultos são a grande maioria dos desaparecidos no território piauiense. Do total de registros efetuados nos primeiros seis meses de 2026, 280 eram do sexo masculino, enquanto 119 eram mulheres e 16 casos não tiveram o sexo informado no boletim. Em relação à faixa etária, 336 pessoas tinham mais de 18 anos, 67 eram menores de idade (até 17 anos) e 12 notificações não apresentavam a idade da vítima.

Desafios na investigação

O especialista em segurança pública Otoniel Prado avalia que, apesar do crescimento estatístico, os números reais podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Segundo o pesquisador, muitas famílias deixam de procurar as autoridades policiais por receio, vulnerabilidade social ou por preferirem realizar buscas por meios próprios. Prado também aponta que a limitação de efetivo policial dificulta o andamento das investigações tanto no Piauí quanto em outras regiões do país.

A predominância de homens adultos entre os desaparecidos é associada por Prado a fatores sociais e pressões cotidianas. O especialista explica que a cobrança social sobre o papel de provedor financeiro pode empurrar indivíduos para situações de vulnerabilidade, conflitos urbanos, envolvimento com a criminalidade ou problemas relacionados ao uso de álcool, drogas e transtornos mentais.

Orientações e mitos

Um dos principais obstáculos para o início rápido das buscas é a falsa crença de que é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento. A Polícia Civil esclarece que o boletim de ocorrência deve ser feito imediatamente após a constatação de uma ausência fora do comum. Não há qualquer prazo mínimo exigido por lei para que as autoridades comecem a agir.

Além do registro policial imediato, existem providências jurídicas importantes que a família pode adotar no âmbito cível. Especialistas recomendam acionar a Justiça para solicitar a curatela dos bens da pessoa ausente. Após um ano sem notícias, é possível requerer a declaração de ausência e, em situações de risco evidente à vida, a morte presumida, garantindo assim a preservação de direitos sucessórios e previdenciários dos dependentes.

Comparativo geográfico

No cenário do Nordeste, o Piauí apresenta uma taxa de 20,97 desaparecimentos para cada grupo de 100 mil habitantes, posicionando-se abaixo de estados como Sergipe (24,67), Pernambuco (23,97), Bahia (23,00), Alagoas (22,67) e Ceará (21,67). Por outro lado, o índice piauiense supera os registrados na Paraíba (20,82), no Rio Grande do Norte (19,45) e no Maranhão (17,50).

Ao todo, a região Nordeste somou 7.305 desaparecimentos no primeiro semestre de 2026, registrando uma alta de 1,53% em relação ao ano anterior. Os maiores volumes absolutos foram verificados na Bahia, com 1.998 casos, seguida por Pernambuco, com 1.340, e Ceará, com 1.176 ocorrências. Em âmbito nacional, o Brasil contabilizou 43.910 registros, um crescimento de 4,83% frente aos 41.888 casos de 2025. O Piauí ocupa a 21ª posição no ranking nacional em números absolutos.

Campanha de identificação

Como parte dos esforços para solucionar casos em aberto, o Piauí participará de uma mobilização nacional para coleta de material genético de familiares de pessoas desaparecidas, programada para ocorrer entre os dias 24 e 28 de agosto. O objetivo é cruzar os dados com o Banco Nacional de Perfis Genéticos para identificar corpos ou pessoas localizadas sem identificação.

No estado, o dia principal de mobilização será 26 de agosto, com atendimento a partir das 7h30 no Instituto de DNA Forense da Polícia Científica, situado na zona Sul de Teresina. A ação é gratuita e voluntária. Além da coleta de saliva ou sangue dos parentes, as famílias podem entregar objetos de uso pessoal do desaparecido, como escovas de dente ou aparelhos de barbear, que contenham material biológico útil para a análise.

A iniciativa conta com a parceria da Delegacia Especializada em Pessoas Desaparecidas, ligada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de 12 núcleos regionais de polícia científica distribuídos pelo interior do estado. A tecnologia de cruzamento de DNA é considerada uma das ferramentas mais precisas e céleres para solucionar investigações complexas e trazer respostas definitivas às famílias.

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