
O mercado de trabalho no Piauí registrou uma marca histórica no segundo trimestre de 2026. Pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de informalidade no Estado ficou abaixo de 50%. O índice recuou para 49,5%, consolidando uma tendência de queda que vinha sendo observada nos últimos anos. Apesar do avanço significativo, o cenário local ainda é marcado por graves desafios estruturais, como o desemprego elevado e a baixa remuneração média dos trabalhadores.
A redução da informalidade representa um passo importante para a consolidação de postos de trabalho com carteira assinada e garantias previdenciárias no Piauí. Desde o quarto trimestre de 2020, período em que o indicador atingiu o pico de 59,3% sob o impacto da crise sanitária e econômica, o Estado vinha registrando uma trajetória de declínio gradual e consistente. A queda para 49,5% no segundo trimestre de 2026 coroa esse processo de recuperação do mercado formal.
Contudo, a comparação com o restante do país revela que o território piauiense ainda convive com uma realidade de extrema vulnerabilidade ocupacional. O Piauí detém a quinta maior taxa de informalidade do Brasil, ficando atrás apenas do Maranhão (56,9%), Pará (55,9%), Amazonas (51,7%) e Bahia (50,7%). O índice local destoa significativamente da média nacional, que se fixou em 37,4% no mesmo período. No extremo oposto, o estado de Santa Catarina registrou o menor índice de informalidade do país, com apenas 25,4% de sua força de trabalho sem registro formal.
Outro ponto crítico apontado pelo levantamento do IBGE é a estabilidade da taxa de desocupação, que permaneceu em 8,3% no segundo trimestre de 2026. Embora não tenha apresentado crescimento, o índice coloca o Piauí na quarta posição entre os estados com maior desemprego no país. O indicador piauiense é superado apenas pelas taxas registradas no Amapá (9,8%), na Bahia (9,1%) e em Pernambuco (8,3%). Em âmbito nacional, a desocupação média foi de 5,4%, configurando um dos menores patamares históricos recentes.
Na capital, Teresina, a taxa de desemprego ficou em 7,1%, demonstrando estabilidade em relação aos primeiros três meses do ano. No contexto regional do Nordeste, a capital piauiense apresenta um desempenho relativamente favorável, ocupando a terceira menor taxa de desocupação entre as capitais nordestinas, superada apenas por João Pessoa (5,5%) e Natal (6,3%). No entanto, quando comparada a todas as capitais brasileiras, Teresina ainda figura na décima posição entre as maiores taxas de desemprego.
Além da falta de postos de trabalho, a subocupação por insuficiência de horas trabalhadas continua sendo um gargalo severo. O número de piauienses que trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam de trabalhar mais, caiu de 184 mil para 148 mil, o que representa um recuo de 19,1%. Mesmo com essa melhora quantitativa, o Piauí mantém a maior proporção de trabalhadores subocupados do Brasil, atingindo 11,1% do total de ocupados, um abismo em relação à média nacional de 3,95%.
A combinação de alta informalidade e subocupação crônica reflete diretamente no bolso do trabalhador piauiense. O rendimento médio real habitualmente recebido no Estado foi estimado em R$ 2.547 no segundo trimestre de 2026. Esse valor representa um acréscimo tímido de apenas R$ 10 em comparação com o mesmo período do ano anterior, evidenciando a estagnação do poder de compra local.
Com esse resultado, o Piauí amarga o segundo menor rendimento médio do país, superando apenas o vizinho Maranhão, onde a média salarial é de R$ 2.284. A disparidade é gritante quando confrontada com as regiões mais ricas do Brasil. O Distrito Federal lidera o ranking nacional com um rendimento médio de R$ 6.171, seguido pelo estado de São Paulo, com R$ 4.447.
Os dados consolidados pelo IBGE reforçam que, embora a queda inédita da informalidade abaixo dos 50% seja um marco histórico a ser celebrado, o mercado de trabalho no Piauí ainda necessita de profundas reformas estruturais. A superação desses índices negativos passa obrigatoriamente pela atração de novos investimentos privados, pelo fortalecimento de políticas públicas de qualificação profissional e pelo incentivo à geração de empregos de jornada integral e com melhor remuneração.