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Rafael Fonteles vai ao mercado novamente e Piauí soma mais de R$ 8 bilhões em novos empréstimos apenas em dezembro
Gestão estadual opera no “crédito rotativo”: novos pedidos ao BID e bancos nacionais elevam dívida pública e comprometem orçamentos de futuras gerações.
17/12/2025 23h39 Atualizada há 2 meses
Por: Redação

O Governo do Piauí parece ter adotado o cartão de crédito como principal ferramenta de gestão. Apenas neste mês de dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) deu aval para que o governador Rafael Fonteles (PT) contrate duas operações de crédito gigantescas que, somadas, ultrapassam a casa dos R$ 8 bilhões.

No dia 9 de dezembro, os deputados aprovaram um empréstimo de US$ 600 milhões (aproximadamente R$ 3,25 bilhões na cotação atual) junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Poucos dias depois, em 16 de dezembro, mais uma fatura foi aberta: a aprovação de outro crédito no valor de R$ 4,98 bilhões junto a instituições financeiras nacionais.

A farra dos empréstimos

Desde o início do mandato, em 2023, a atual gestão tem recorrido sistematicamente a bancos para financiar a máquina pública. Se somarmos aos empréstimos anteriores — como os R$ 2,5 bilhões aprovados em agosto de 2024 e outros R$ 2 bilhões captados junto ao Banco do Brasil em maio do mesmo ano — o Piauí vive uma escalada de endividamento sem precedentes recentes.

A justificativa oficial do Palácio de Karnak para o empréstimo em dólar (BID) é a "reestruturação da dívida", um termo técnico para dizer que o Estado está pegando dinheiro novo e, teoricamente mais barato, para pagar dívidas antigas e mais caras. Na prática, é como um cidadão que faz um empréstimo pessoal para pagar a fatura do cartão de crédito: a dívida não some, ela apenas muda de credor e ganha novo prazo.

Quem paga a conta?

Enquanto o governo anuncia obras e "aportes de capital" em estatais, a preocupação de economistas e da oposição recai sobre a capacidade de pagamento a longo prazo. O luxo de governar com dinheiro de empréstimos cria uma sensação artificial de bonança no presente, mas deixa a fatura — com juros e correção cambial, no caso do BID — para ser paga pelos próximos governadores e, principalmente, pelos contribuintes piauienses nas próximas décadas.

Ao comprometer a receita corrente líquida com o serviço da dívida (pagamento de parcelas), o Estado perde a capacidade de investir com recursos próprios, ficando refém de um ciclo vicioso de novos empréstimos para manter a máquina girando.