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São João do Piauí e Canto do Buriti registram menor umidade do ar do país

Cidades atingiram índices críticos de 11% e 10% respectivamente; Defesa Civil alerta para riscos graves à saúde e perigo de incêndios

Redação
Por: Redação Fonte: Portal SRN
03/08/2026 às 08h49
São João do Piauí e Canto do Buriti registram menor umidade do ar do país
Baixa umidade do ar acende alerta vermelho para a saúde e riscos de queimadas no Piauí — Foto: Reprodução/Redes sociais

Os municípios de São João do Piauí e Canto do Buriti, localizados na região semiárida do Piauí, registraram os menores índices de umidade relativa do ar de todo o Brasil na última sexta-feira, dia 31 de julho. De acordo com os dados oficiais consolidados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a cidade de Canto do Buriti atingiu a marca crítica de apenas 10% de umidade, enquanto São João do Piauí registrou 11%. Esses valores colocam as duas cidades em estado de emergência climatológica, assemelhando-se a condições de clima desértico.

A situação extrema acendeu o sinal de alerta entre as autoridades estaduais de saúde e de proteção civil. O fenômeno é característico desta época do ano, mas a intensidade registrada neste início de semestre surpreendeu os meteorologistas pela rapidez com que os índices despencaram. A baixa umidade do ar afeta diretamente a qualidade de vida da população local, exigindo medidas imediatas de prevenção para evitar complicações de saúde e acidentes ambientais.

Alerta da Defesa Civil

O diretor de prevenção e mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, explicou que a umidade do ar funciona em um sistema de pulso dinâmico ao longo do dia. Segundo o especialista, a tendência natural é que, após atingir o pico mínimo durante as horas mais quentes da tarde, os índices comecem a subir de forma gradual e lenta durante a noite e a madrugada. No entanto, ele reforça que o patamar atual continua extremamente preocupante e exige atenção constante.

"Ainda estamos lidando com um nível crítico de secura atmosférica. É absolutamente indispensável que a população reforce a hidratação constante e busque compensar essa severa baixa umidade. Sob essas condições, o processo de desidratação do corpo humano ocorre de maneira muito mais rápida e silenciosa, o que pode agravar quadros de doenças respiratórias e renais preexistentes", alertou Werton Costa.

Riscos à saúde e recomendações

Especialistas em saúde pública apontam que índices de umidade relativa do ar abaixo de 20% são considerados de alto risco para o bem-estar humano. Entre os principais problemas decorrentes desse cenário estão o ressecamento das mucosas, irritação nos olhos, dores de cabeça, cansaço físico e dificuldades respiratórias severas, especialmente em crianças, idosos e pessoas com asma ou bronquite.

Para mitigar esses impactos, a Defesa Civil e os órgãos de saúde recomendam evitar qualquer tipo de exposição direta ao sol no intervalo entre as 10h e as 16h, período em que a radiação solar é mais intensa e a umidade atinge seus níveis mais baixos. Outras orientações importantes incluem a suspensão de atividades físicas ao ar livre nesse mesmo horário, o uso de umidificadores de ar ou toalhas molhadas nos ambientes domésticos e, principalmente, o consumo abundante de água.

Período de estiagem no Piauí

O início do segundo semestre, tradicionalmente a partir do mês de julho, marca a transição definitiva para o período mais seco do ano no estado do Piauí. Esta época é caracterizada pela quase total ausência de precipitações pluviométricas, elevação acentuada das temperaturas no período da tarde e uma queda progressiva e contínua nos índices de umidade do ar em praticamente todo o território piauiense.

De acordo com as projeções da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a previsão para os próximos dias indica a manutenção desse cenário de forte estiagem. A Semarh estima que diversas áreas do estado continuarão a registrar valores de umidade inferiores a 15%. Essa conjuntura meteorológica severa não apenas gera desconforto térmico extremo para os habitantes, mas também eleva consideravelmente a evapotranspiração da vegetação nativa.

Como consequência direta do ressecamento do solo e da vegetação, o risco de ocorrência e propagação rápida de queimadas e incêndios florestais aumenta de forma exponencial. As autoridades ambientais reforçam o apelo para que a população evite o uso de fogo para limpeza de terrenos ou descarte de lixo, uma prática comum que, sob as atuais condições climáticas, pode facilmente fugir do controle e causar grandes desastres ecológicos e materiais na região.

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